1- CASAMENTO DE VIÚVA – No caso do Rio, o verão tem essa particularidade irritante: você sai de casa sem guarda-chuva, debaixo de um sol de Saara, e de repente leva um pancadão de água na cabeça;

2- RODELAS – Não é o meu caso, porque me previno com o velho e bom banho, e ainda uso uma camiseta branca por baixo da social (o calor não fica maior nem menor). Mas é deprimente ver as pessoas com aquelas rodelas embaixo do braço. E mais deprimente ainda quando elas nos proporcionam odores semelhantes ao do escritório de um taxidermista (acho que desde que vi o episódio abaixo do Pica-Pau que eu não usava esta palavra).
3- ROUPAS – Por mais que você lute, qualquer roupa vai te deixar com calor. Já no inverno, é diferente. Você escolhe a roupa e se apresenta melhor.
4- PROGRAMAÇÃO – No verão, torna-se suicídio escolher um programa em local sem ar-condicionado. Qualquer lugar sem ar, ou mesmo ao ar livre mas com restrições (tipo, “aberto”, como certos barezinhos) se torna o Inferno de Dante.
5- A ALEGRIA INCONTIDA – As TVs parecem querer nos convencer que tudo está maravilhoso. Creio que é influência do “Here comes the sun” dos ingleses – estes sim, precisam soltar fogos por causa do surgimento de um sol de 40 graus. Não vejo as TVs criarem símbolos para celebrarem a piedade, a clemência, quando a temperatura cai para níveis humanos em maio ou junho. Só vejo um maldito solzinho nas campanhas de verão e nas “programações de verão” de filmes e programas “jovens”. A associação de “verão” com “jovem” também é irritante, porque se baseia e consolida logo em seguida uma tese meio furada: a de que “jovem” não trabalha, fica o dia todo surfando. Aliás, eu nunca entendi o gigantesco nicho de mídia existente para o público de surfe. Em cada praia, do total da população, qual a porcentagem de surfistas? Qual a última vez em que você foi assistir, in loco, a uma competição de surfe, na arquibancada, torcendo e gritando “Tu és/Surfista de tradição/Raça, amor e paixão”? Quando você conseguiu assistir na TV a um programa sobre surfe INTEIRO, do início ao fim, sem que fosse apenas um programa apresentado pela Dora Vergueiro e pela Luiza Althenhoffen seminuas (aí não se trata de surfe)?
6- PRONTO PARA SUAR – No verão, o sujeito toma banho – seja quente ou frio – e sai do chuveiro, se enxuga e começa a se arrumar para trabalhar. Se o sapato ou a meia ou uma calça específica demandarem mais de cinco minutos de procura – é comum ter dificuldade de achar um par de meias – o sujeito JÁ ESTÁ SUADO e pronto para voltar pro banho. Aí ele olha para o relógio e pensa: “Fudeu”. Já vai ter que sair suado de casa.
7- A OBRIGAÇÃO DE SER E ESTAR "VERÃO" – No verão, o cara que não está com saco de ir à praia vira um paria. Quem fala mal do calor abrasivo do Rio de Janeiro é tido como um subversivo perigoso. Se reclamarmos do sol inclemente que transforma capôs de carros em chapeiras de hambúrgueres somos perseguidos como bruxas na Idade Média. No verão, somos cafonas se não gostamos de andar por aí descalços e com uma latinha de cerveja quente na mão – hábito que tende a se tornar freqüente no carnaval.

Como consegui encontrar uma praia razoavelmente civilizada recentemente, não tenho sofrido muito com isso. Mas continuo acreditando no direito de não ir à praia.
Próxima tese: o Rio seria melhor se fosse ali, na altura de Lages (SC). Nevaria no Cristo. E até haveria muito mais público para o surfe. Só não saberia como eu iria torcer pelo Flamengo também no surfe.
Adicionaria mais uma coisa pra realidade de Santa Maria:
8- NÃO TER ESCAPATÓRIA - O carioca desse blog acima pode se queixar e tudo mais, mas com certeza no momento que ele sentir um calorão e não aguentar mais, a praia estará o esperando de braços (esgotos) abertos. Já nessa cidade, não tem praia, nem vento. Nos resta colar num ventilador ou ligar o ar-condicionado ...Capturado e adaptado do
Ueba